
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, defendeu que o governo acelere a análise de possíveis contramedidas comerciais contra os Estados Unidos. O processo foi aberto com base na Lei da Reciprocidade Econômica após as tarifas impostas pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros.
Em entrevista ao Valor, Amorim argumentou que o período dedicado às negociações com Washington já foi suficiente para justificar maior rapidez na nova etapa. A legislação prevê consultas e análises antes de uma eventual resposta brasileira.
“Passou um ano, quase um ano e meio consultando. É claro que a gente se preocupa muito com os setores brasileiros prejudicados, mas é preciso se adaptar a essa realidade nova”, afirmou.
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Segundo Amorim, o governo precisa considerar a possibilidade de efetivamente aplicar as medidas previstas na lei para ganhar força nas negociações. “Para que você obtenha alguma coisa na negociação, você tem que partir do princípio de que ela pode ir até o final.”
O assessor reconheceu que determinados setores exportadores terão maior dificuldade para substituir o mercado americano. Nesses casos, defendeu medidas específicas de apoio. Para os demais, apontou a busca de compradores em outros países como alternativa.
Amorim também disse enxergar espaço para um acordo com Washington. Na avaliação dele, apesar do componente ideológico presente na relação entre os dois governos, interesses econômicos podem favorecer uma solução negociada.
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Fora da disputa comercial, o assessor demonstrou preocupação com a possibilidade de operações militares terrestres dos Estados Unidos contra organizações criminosas em países latino-americanos. Diante desse cenário, voltou a defender que o Brasil eleve gradualmente os investimentos em Defesa para 2,5% do PIB.
“Não quero ser alarmista, mas você olha essa situação e você se preocupa”, afirmou.
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